Domingo

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Hoje é domingo, e a temperatura acabou ficando abaixo dos 15 graus, sei que você odeia os dias frios, você sempre disse que dias gelados são mal aproveitados e eu sempre condizia. Mas amava os dias frios, eles me ofereciam um pouco de você só para mim, ficávamos deitados até meio dia, você tomava aquele chá de tranquilidade e eu meu inegociável chocolate quente.

Os dias frios eram nossos, um bom filme sempre interrompido pelo sexo, ou como você preferia: pelo nosso amor. As tardes escapavam pelas frestas que sobravam entre os laços que nossos dedos formavam.  Eu nunca entendi o que o tempo tinha conosco, para sempre jogar-se contra nós.

Amava a forma como no inverno nosso cheiro misturava-se e formava um aroma completamente novo, não era o suor apaixonado, eram apenas leves fragrâncias que se completavam em perfeita harmonia.

Nosso relacionamento era harmônico, não brigávamos, nossos insultos sempre foram carinhosos e tentávamos fugir do clichê do amor, mas pensando bem agora, nós fomos apenas mais um poema sujo, provavelmente Bukowski escreveria sobre nossas transas rápidas e como manchamos nossas vidas.


Hoje é domingo e eu passei o dia pensando sobre nós, como um dia fomos incríveis, para chegarmos ao agora e sermos apenas eu aqui em casa em baixo das cobertas, assistindo mais um episódio de Skins e reclamando que minha adolescência foi um tédio, enquanto você está por aí, no mundo, criando a juventude inconsequente que prometeu contar aos seus netos, que infelizmente não serão nossos netos, afinal sua vida não me inclui mais.


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