Amélia

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Você é a Amélia desse lar desgraçado.
Sua dor, em mim faz recesso, de tanta angustia que te cai e com toalhas já úmidas tento seca-la.
Mas não seca, meus trapos já não te calam.
Não há em você um canto sem o grito agônico da vida, que te carrega nas costas te trazendo o pesar de todos os dias.

Em mim você despoja todas as frustrações, se já não estivesse enlameada com seus conflitos internos e em suas crises externas, alguém mais a suportaria?

Amélia, de onde você traz tanto pesar?
Das cinquenta vezes que por você a Terra girou em torno do Sol, não há deus que negue que foram as cinco décadas de maior escuridão que o homem já viu. (Se é que alguém notou a ausência de luz que sempre pairou em você.)


Oh mãe, Amélia, guerreira sem ira.
Oh mulher que não aprendeu a amarrar os laços de amor as suas crias.
A ti, minhas condolências por ter caminhado durante aqueles 50 anos sem vida.



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