Inópia

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Ela morreu de fome, um dia acordou e simplesmente percebeu que não queria mais comer. Seu estômago já não roncava e não almejava alimentos, não os considerava nem ao menos saborosos, não conseguia comer.  Apenas o ato de aproximar algo de sua boca lhe causava náuseas. Dentro dela só subia uma mare de sentimentos negativos.

Sei que se tivesse vivido por mais um dia, talvez, tivesse tido uma de suas crises que acabavam com tentativas de suicídio e seu final seria trágico de qualquer forma. Mas, não.... Ela morreu de fome, meu caro.

 Ela poderia ter morrido há dois meses em um assalto malsucedido, poderia ter sido atropelada, já que atravessar ruas nunca foi o seu forte ou apenas o acaso poderia tê-la matado. Mas, não.... Ela morreu de fome diante da abundância de alimentos, morreu frente a comida mais saborosa desde a criação da Terra, tão saborosa, mas foi impedida de tocar.

Não comeu por quase duas semanas e não dormiu por cinco noites e PLAU. Uma noite após uma de suas constantes alucinações ela sentiu-se viva, como nunca antes, seu estômago gritou por ajuda pela última vez e sua cabeça atordoada concordou. As mais profundas dores de sua alma tornaram-se rasas e no segundo seguinte sua vida se esvaiu, levando consigo todas as coisas incríveis de uma vida que jamais será vivida, que jamais quis ser vivida. 


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