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Queria resolver todos os problemas do mundo, queria amar e ser amável com todas as pessoas, queria valorizar e ser valorizada, queria não ter lágrimas e acima de todos os quereres, queria morrer. Mas só queria, queria tantas coisas que não sabia realmente querer nada.

Aos meios amores implorava profundidade, mesmo sendo uma pessoa rasa. Procurava em outros lares o que não encontrava no seu, procurava em outras vidas o que queria para sua. Mas não encontrava, nunca encontrava nada do que queria, por que sua subsistência já era um termo completo por si só.

Tão completamente incompleto que tinha crises existênciais todas as manhãs, eram lágrimas ao café com leite. Passava tanto tempo se odiando que se esqueceu de que poderia se amar, que queria se amar. 

Lutava tão bravamente contra seus pesadelos, que perdera o gosto por sonhar. Comia apenas pra saciar a fome e a preguiça nunca andou na mesma calçada que ela. 

No final de tudo ela era vento, era a brisa macia de uma noite ruim. Ela era o beijo que você não deu e o beijo que deu excessivamente. Ela não existia, ela sub existia. Era uma planície picada de desejos, meros desejos que, assim como ela, só queria ser algo, mas não eram.

Eu não sei mais o que falar/não falar sobre ela, ela sou eu, que somos zero e oitenta, que não somos nem dia nem noite, somos madrugada, fim de tarde, alvorada e ela não é nada.


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