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Um milhão era um numero que se enquadrava perfeitamente à ela. Ela que sempre o citava em seus exageros, mesmo jurando que odiava números pares. Dizia que amava a solidão que os números ímpares lhe proporcionava e se enganava ao dizer que era um deles. Gostava de Aparentar não passar de meia dúzia mesmo já sendo uma dúzia inteira.

Morava numa rua chamada Sui Generis, na quinta casa após o cruzamento, no numero 353, com a sua mãe e sua irmã gêmea, que não era tão gêmea assim. Calçava sapatos de número 37 e tinha exatamente 1,71 de altura.

Estava constantemente atrasa e meio perdida. Sempre contava os passos até a escola, eram exatamente 1051, quando estava correndo conseguia reduzir para 499, mas nunca menos que isso, por mais que soubesse que trapaceava, jurava de pé junto que era obra do destino ser tudo impar. Seu Nome? Amanda, seis letras, porem seis divido por dois é o que? IMPAR. 

Gostava de andar sozinha, para mostrar sua IMPARcialidade, seus sorrisos eram meio tortos e deformados. Sua aparência era tão comum que nunca era notada.  Sua voz? Era um ruído irritante, por isso evitava falar muito e se contentava em ser uma garota calada. 

Era 2003 e ela estava feliz, por que em uma semana, exatamente no dia 7 de maio, iria completar seu décimo sétimo outono e o fato de ter tantos impares de uma só vez a confortava. Pois Amanda nunca passou de uma garota estranha, que acredita que os números eram símbolos de sorte e nunca enxergava sorte nos pares, assim como não enxergava sorte no amor. Mas era apenas questão de perspectiva, entretanto isso ela não entendia.

 Sua Irma a irritava dizendo; “Amanda fecha essa boca, é a segunda vez que vejo você com ela aberta hoje, se continuar sonhando acordada, talvez meia dúzia de moscas parem no seu estomago.”; “Eu te dou 4 minutos para ficar pronta, se não eu vou sozinha.”. Ao contrário de si sua irmã dizia tudo em pares e pronunciava a quem pudesse ouvir que estava destinada a sua alma gêmea um dia a encontraria e a completaria. 

Isso também não fazia sentido à Amanda, que era tão detalhista em números, mas tão desprepara para qualquer coisa que não proviesse deles. Sei que a muito já deve afirmar “ela é uma garota com TOC”, mas esse não é o caso dela, ela é uma garota com um vazio cheio de manias, com uma mente absurdamente engenhosa e pouco flexível. 

N/A: Para a minha prima Amanda, que é completamente atrapalhada e me inspirou.


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