Creepypasta

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                Naquela vila antiga de Minas Gerais já não era novidade quando acontecia alguma coisa estranha, pessoas sumirem, vultos, casa mal assombrada, já não era mais nenhuma novidade.
                Mas numa noite foi diferente. Era uma cidade de passagem, a BR-116 a dividia em duas. Uma população com menos de 5 mil habitantes. A maioria ganhava a vida com hotéis baratos a beira da estrada.
                Gabriel e sua namorada Camila já estavam na estrada desde a noite passada, estavam vindo de São Paulo, querendo chegar a Salvador. Já eram para estar longe, mas tinha que parar a todo momento, em todos os postos, restaurantes, qualquer lugar que tivesse banheiro, afinal Camila estava grávida, estava avançando o sétimo mês de gestação e toda hora queria usar o banheiro.
                Vendo que já estava escurecendo Gabriel decidiu que passariam a noite no próximo Hotel que avistasse. Por coincidência, talvez até por obra do destino eles acabaram em nossa pequena cidade.
                No início Camila ficou encantada com a pequena cidade. Mas assim que se hospedaram no hotel ela começou a sentir medo. Era um hotel mau acabado de beira de estrada, uma construção bem antiga, se as luzes do mesmo não estivessem acesas iria parecer abandonado. Eles ficaram com o quarto numero 7, a mobília era extremamente simples e antiga,  o chão, a porta e a janela rangiam juntos.
                Gabriel chegou perto da janela e observou.
- Deveríamos ter pego um quarto com uma vista melhor, desse aqui só da pra ver mato – ele bufou.
- Está bom aqui, só quero dormir estou exausta – do jeito que estava ela se deitou na cama e Gabriel a acompanhou.
- Você percebeu, só há cinco quartos aqui 1,2,3,4 e 7, o 4 fica ali nos fundos. Achei estranho, será que tem algum motivo?
- Não deve ser nada.
- Mais uma coisa, você não acha que esse lugar lembra filmes de terror, aqueles de adolescentes...
-Não, não acho – ela se levantou com dificuldade, por causa da barriga – vou dormir e se fosse você faria o mesmo.
                Ambos trocaram de roupa e voltaram para cama. Ainda eram oito horas e Gabriel não conseguia dormir, ao contrario de Camila que desmaiou. Apesar de ter dirigido o dia todo, ter aguentado as mudanças de humor de sua namorada e estar extremamente cansado, ele não conseguia dormir. Na verdade alguma coisa em seu subconsciente o impedia. Depois de horas na escuridão finalmente adormeceu.

                Ele estava em pé em um corredor, porta numero 7 a sua direita e a frente estava o quarto numero 4. Alguém batia na porta, de dentro para fora, como se quisesse sair, então ele foi chegando mais próximo do quarto, quando finalmente colocou a mão na maçaneta e estava abrindo a porta...

 - Gabriel... Gabriel...
                Ele acordou ao ouvir o som da voz de sua amada.
 - Droga Camila você me acordou na melhor parte do sonho.
- Você também me acordou, você estava gemendo e está todo suado. Parecia que estava tendo um pesadelo.
-Foda-se, odeio ficar curioso – ele levantou e se dirigiu a porta.
- Gabriel, não quero ficar aqui sozinha...
- Vou fumar um cigarro e já volto – disse ele depositando um beijo na testa da garota e saindo do quarto.
                Quando ele saiu do quarto olhou para a porta numero 4 e foi até lá e a abriu. Entrou mas não havia nada de interessante lá a não ser algumas roupas velhas jogadas no chão. Era muito escuro somente com a luz do isqueiro ele enxergou um pouco, se surpreendeu com um quadro extremamente grande e vazio que estava pendurado na parede, apenas um fundo negro com moldura. Bufou e saiu do quarto deixando a porta entreaberta.
                Gabriel estava frente ao hotel no seu quinto cigarro observando a estrada quando viu um vulto negro chegando perto de si. Era um cão negro, com olhos vermelhos que brilhavam na escuridão. O cão pousou o olhar sobre Gabriel. Um olhar cheio de ódio e começou a latir, quando ouviu o latido seu corpo estremeceu e ele caiu no chão, ele estava com medo. Então ouviu um grito. Camila.
                O cão negro havia sumido, ele correu até o quarto, mas antes de abrir a porta notou que o quarto numero 4 não estava como ele havia deixado, a porta estava escancarada. Ele pensou ter visto um vulto passando dentro do quarto, estava indo em direção ao numero 4, mas se lembrou de Camila. Engoliu seco e abriu entrou em seu quarto, onde havia um silencio ensurdecedor.
- Camila? – não houve resposta, tentou acender a luz em vão. Andou em direção a cama onde  podia ver a fisionomia de alguém sentado – Amor? Por que você gritou? – ele acendeu o isqueiro e a viu.
                Ele viu os olhos da sua amada brancos e sem vida, o lençol que cobria seu corpo estava ensopado de sangue e instintivamente ele o puxou. A barriga de Camila estava dessecada. Havia marcas como se algo tivesse saído de lá a força. Seu filho? O cheiro de sangue estava deixando-o enjoado.
                Ele ficou ali parado em estado de choque, só acordou quando viu o corpo de sua amada deixando o local na manha seguinte.  Sentiu o aço frio em seus pulsos, algemas. Indagou por que e a resposta foi realmente decepcionante.
- Você matou a garota friamente e Deus sabe o que você fez com a criança. Ainda quer mais motivos? – levou uma punhalada nas costas de outro policial – você está ferrado vagabundo.
                Ele olhou para suas mãos que estavam cheias de sangue em suas unhas havia pele, pele humana. Olhou para onde havia visto Camila pela ultima vez, notou que na parede acima da cama estava escrito com sangue “aqui está a melhor parte do seu sonho”.


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