Amados pais

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                Eu senti ódio, como nunca havia sentido antes, vomitei diversas vezes, mas já era tarde, tudo estava feito.
                Ela era minha mãe devia me amar, mas nunca foi bem assim. Desde o principio eu fui o plano de uma mercenária e meu pai foi a vitima. Para dizer a verdade ele nem era tão rico assim, mas era o suficiente para ter sido dominado pela ganância.
                Uma gravidez proposital, um casamento obrigado e finalmente eu. A criança rejeitada. Eles realmente não me amavam.
                Quando nasci meu pai me odiou, ele não me queria, não queria uma filha para gastar seu dinheiro. Porém para minha mãe foi uma festa, sua vida estava garantida. Para mim? Foi apenas o inicio do inferno.
                Meus pais brigavam muito e me batiam como se eu fosse a culpada por seus pecados. Afinal uma surra é mais barato do que um divórcio.
                Sendo filha de empresário sempre estudei nas melhores escolas, me consideravam um gênio psicótico. Nunca fiz um amigo sequer. Nem mesmo o cachorro que ganhei em meu aniversario gostava de mim. Eu tinha seis anos, ele era um cachorro comum, seu nome era “Dilúvio”, sem motivo ele me atacou, então eu o decapitei. E assim se iniciou. O matei e senti prazer nisso. Sua carne macia se desfazendo, seus ossos em minhas mãos, nunca havia me sentido tão bem. Um tempo depois acabei descobrindo que o cachorro era uma forma do meu pai se livrar de mim e ter a chance de se livrar da desgraçada da minha mãe.
                Quando matei o “Dilúvio” apanhei como nunca antes. Fui punida por não ter morrido. Vi isso nos olhos do meu pai e por mais sem sentido que fosse notei que era também o que minha mãe queria. Mas continuei viva.
                Decapitei todos os animais de estimação que tive desde então, hamsters, pássaros, cachorros, gatos e etc. Era a única coisa que me fazia bem. Guardava-os em vidros no porão, aonde ninguém nunca ia. Apenas eu quando não me sentia bem, ia lá e ao ver aqueles animais mutilados me sentia melhor.
                Ontem pedi para meu pai mais um cachorro, alegando como sempre que o anterior havia fugido. Ele me bateu, me espancou e disse que eu apenas pensava em seu dinheiro. Então percebi que aqueles anos matando animais finalmente me seriam úteis.
                Quando ele cansou de me bater arranquei um canivete do meu bolso e o atingi várias e várias vezes. A cada grito que ele dava eu sentia mais prazer. Esperei minha mãe chegar e fiz o mesmo com ela. Tirei os olhos de cada um dos cadáveres, coloquei-os em meus bolsos e sai de casa. Sai como sempre imaginei. Eles não existiam mais, eles não iriam mais atrapalhar minha felicidade. Havia visto seus últimos suspiros, e o medo deixar seus olhos. Sim eu finalmente estava livre deles.
                Antes que pudesse desfrutar minha liberdade, ouvi a sirene. Provavelmente algum vizinho havia ouvido os gritos. Ouvi um estrondo, “um tiro?”, senti meu peito queimar e vi a escuridão chegando. Por fim adormeci.
                Quando acordei notei que onde antes estavam meus olhos, agora há apenas dois buracos vazios. Medo. Senti medo, meus pais estariam vivos? Eles teriam se vingando? Não, seria impossível...
                - Até que enfim você acordou pequena. Está com medo? – ouvi uma risada diabólica, e a cada segundo no escuro meu medo se multiplicava – Você roubou a vida dos seus pais e eu roubei seu dom de enxergar. Não tenha medo pequena. Felizmente para você isso ainda não é o inferno.


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