Eu queria entender porque alguns oceanos são mais fundos que outros, e principalmente entender porque eu me afogo até mesmo em águas rasas.

Eu não sei se você é raso, mas me afoguei tanto em você que te considero um oceano profundo e o mais perigoso dos mares, mais perigoso que o triângulo das bermudas e seus mil desaparecimentos, sabe você desapareceu com muito de mim.

Era uma da manhã, para ser exata uma e seis,  eu havia acabado de finalizar um maço de cigarro que comprara ainda hoje no final da tarde junto com meia dúzia de pães para acompanhar o café.

Eu sempre tive dificuldade de auto compreensão, mas minha dificuldade agora é você, é compreender a tempestade que vive em você, é entender porque ela me fere tanto. Por quê?

Minha mãe sempre invocou com a quantidade absurda que eu como: "essa menina não engorda de ruim", vendo como as coisas acontecem e como a vida tem andado eu queria poder deitar no colo dela agora e perguntar "mãe, eu realmente sou tão ruim assim?"

Eu sou incapaz de conviver com a fúria causada pela solidão de cada demônio que habita em mim.

Eu sei que eles me matam e matam você. Sua presença sempre me entorpeceu, meus demônios se ocupavam demais lutando com os seus para lembrar-se que podiam me matar.

Nós lutamos tanto que ambos perdemos, acho que quando o amor se esvai.... Se destrói.... É assim... não tem vencedores porquê cada vez que você perde alguém uma parte de si é perdida junto para sempre.

Você tem sido uma parte tão grande que pensar em te perder significa me perder por completo, você foi um caminho sem volta. Onde me perdi que já não posso mais voltar para mim...
Eu aprendi bem cedo que amor é um sentimento egoísta, e que aparentemente desde a infância eu nunca fui um ser humano amável.

Me joguei em muitos relacionamentos por inocência, sempre achei que era reciproco e que por amor valia a pena o risco de se machucar.

Eu me matei, matei cada pedaço meu para tentar caber em você, matei tudo que não fosse de acordo com seus gostos, para caber em você...

Eu tenho tentado matar minha essência para caber em você, eu tenho deixado de ser minha para ser sua, mas dói tanto não ser minha.

Eu paro frente ao espelho e não me vejo, será que sou tão ruim assim? Tao ruim que você é incapaz de me amar como sou, que ninguém pode me amar como sou....

"Você é vulgar e cada parte do seu mundo se baseia em mentiras que você tenta aliviar, amizades? Amizades são os pratos quebrados do almoço que você resolveu não degustar. "

Eu sou tão ruim que me jogo no outro, preencho de palavras doces o meu vazio, palavras vazias.

Eu ainda me impressiono com a facilidade que minha vida pode escorrer pelos meus dedos, e com a facilidade que minha mente implora para que eu a despeje ralo abaixo.


Quantas vezes tenho que morrer para estar viva para você?
Eu nunca havia chorado frente a um homem, a insensibilidade masculina sempre alertara meu excesso de orgulho.

Então eu te conheci e eu chorei, inundei o país inteiro, chorei em cada canto da casa, e em todas as estações da linha 2 do metro, chorei cada lágrima que um dia segurei.

Chorei por um verão inteiro...
Esvaziei, sequei, desidratei e morri

Eu morri de dor e de alívio, por finalmente te desconhecer....
É assim que os loucos morrem, sentados no chão frio do banheiro de sua casa vazia, em uma periferia QUALQUER, sozinho, sendo ninguém, assim como veio, se esvai como nada.
Acho que a vida é feita de frustrações.
Olho para o meu violão no canto do quarto e me iludo
são quinze anos sem saber toca-lo.
Sabe, nem todo mundo nasce com o dom de ter tempo.

Vocês fazem mó auê por causa da carne, ou de quão grande é casa daquela mulher famosa.
Qual foi mesmo o assunto da semana? Aaah é.... aquele filme de super-herói e o super-herói que matou o seu colega de quarto, diz ele que por autodefesa, e quem sou eu para julgar? Perdi a conta de quantas vezes me vi sem família só para o peso nas costas acabar.

Meu auê se chama dor de cabeça, após trabalhar janeiro inteiro em baixo de 30 graus de sol, só me alivio no inverno, que congelo aos 15 graus medianos de São Paulo.

Não venha tentar me educar e dizer que meu problema é só falta de informação. Meu caro...  Meu problema é falta de dinheiro e de tempo para fazer mais dinheiro.

Você sabe o que é ter que sustentar uma família que nem ao menos foi você que fez? Pois é, são três irmãos pequenos e eu mal tenho 20 invernos e sou incapaz de deixá-los morrer de fome.

Então para com esse seu conto de fadas que me fere, que influi que eu sou burro. Eu sou é bem inteligente, pena que o sistema não engloba o menino que empina pipa as férias inteiras na periferia.

Muito menos uma mãe que não entendia o que era contraceptivo e que homens muitas vezes não são bons. Desculpa aí se o seus pais são cuidadosos e você tem seu aconchego de ser filho único, e tu ainda vem apontar o dedo na minha cara dizendo que tenho tudo.

Tudo o que? Eu tenho fome de mil sonhos impossíveis, tenho uma irmã que se arrasta em bailes por drogas e uma mãe ajoelhada em lágrimas na igreja da esquina 3x por semana. Tenho carência de um pai que não sei o nome e a escola que nunca soube quem eu sou.

É 2017 e o máximo que alcancei é ser servente de pedreiro, eu me mato o dia inteiro arrumando o seu banheiro, onde você faz as suas merdas enquanto eu procuro o melhor abrigo para os meus irmãos, com medo das tendências suicidas da matriarca.


Sabe tudo que eu tenho é inveja da sua vida dura de acordar 7:30 para assistir uma aula de ciências humanas, invejo seus assuntos no bar “você acha mesmo que a república de Platão alcançaria uma sociedade perfeita? ”, eu não sei quem foi Platão, mas sei muito bem que a sociedade está muito longe da perfeição. 
Você faz falta
com quantas faltas você reprova no meu coração e torna-se apenas um borrão esquecido do meu passado?

Sabe, na vida passamos por muitos amores, eu quem o diga, ne? Antes de você eu me apaixonava toda semana, fazem 427 dias que não amo ninguém.

As pessoas tornaram-se cinzas, antes eram como fogueiras, ter pessoas ao meu redor me aquecida do frio constante dos dias, acreditava que qualquer um podia me guiar pela escuridão, agora, notei que são cinzas e quando elas me tocam, elas me sujam. Você me aqueceu por muito tempo e suas cinzas me poluíram.

Eu apodreci, virei tabu, quando me jogo nas ruas as cinzas atravessam as calçadas, não há cura para minha carne pútrida e eu não sou biodegradável.


Você me fez item industrial, sou produto e capital.
Você foi um apanhador de sonhos, eu te trouxe para casa sem saber que era prejudicial.