Eu queria não me torturar mais todos os dias com as inseguranças que você me fez carregar, eu sabia o que era amor e principalmente sabia o que não era amor muito antes de te conhecer. Sempre foi difícil me amar, amor próprio não se encaixa bem no meu dicionário.

Eu já tinha depressão antes de você me culpar por tudo que há de errado na sua vida, eu tomava remédios para aliviar a dor antes de você me dizer como sou ruim e incapaz de qualquer coisa, eu já não tinha amor próprio bem antes de você me proibir de me amar.

Eu já pensava em suicídio bem antes de você jogar na minha cara diariamente como tudo ao meu redor é ruim. Eu já odiava meu corpo e ter nascido mulher antes de você me sexualizar e dizer que as pessoas só se aproximam de mim com segundas e terceiras intenções.

Eu já chorava até dormir todas as noites por sentir a dor da solidão, antes de você me culpar por tudo de ruim que já me aconteceu e obrigatoriamente me isolar do mundo. Eu já era uma pessoa fechada antes de você me colocar na sua caixinha de dores e me chacoalhar dizendo que eu faço tudo errado e que deveria aprender com meus erros.

Eu já tinha medo de sair de casa antes de você impor suas paranoias em mim e me dizer que eu deveria me trancar e me proteger de tudo e todos o tempo todo.

Eu já me achava uma pessoa ruim antes de você me dizer que eu estava “fodendo” sua vida, pois não aguentava toda a pressão que você colocava em mim.

Eu já me odiava muito antes de você me odiar.

Eu queria saber mais sobre resiliência e conseguir lidar com todas as dores que tenho carregado. Eu queria não chorar mais todos os dias por coisas que não cabem a mim, às vezes as coisas não dão certo e tudo bem, eu sei que não deveria me torturar com isso.

Eu fico lendo sobre toda a minha dor e como eu queria que você me amasse, mas como você mesmo disse eu não aprendo, eu ainda não consegui aprender que enquanto eu não me amar eu não terei isso de ninguém.

Em quantos pedaços terei que me dividir para ser amada por você?


Tenho pensado em como quero morrer e como pessoas como eu realmente devem ficar sozinhas. 

Intensidade sempre foi um problema para mim, meus sentimentos nunca tiveram freios, nenhum deles, poderia não ser um problema se o mundo não fosse um lugar hostil. 

A solidão apesar de ter sido minha "melhor" amiga nunca foi boa. Acho que a solidão e estar bem são antônimos em meu universo. 

Eu desabafo por textos pois de minha voz já não se faz som, para desabar tudo que preciso deveria gritar alto, até estourar meus próprios tímpanos, assim não ouviria mais nenhum julgamento e talvez não me magoaria. 

O problema da dor é que ela dói, tanto que, às vezes, parece que não irei aguentar, tanto que, às vezes, a morte é uma saída confortável.
Eu queria conseguir me salvar...
 Eu queria entender porque alguns oceanos são mais fundos que outros, e principalmente entender porque eu me afogo até mesmo em águas rasas.

Eu não sei se você é raso, mas me afoguei tanto em você que te considero um oceano profundo e o mais perigoso dos mares, mais perigoso que o triângulo das bermudas e seus mil desaparecimentos, sabe você desapareceu com muito de mim.

Era uma da manhã, para ser exata uma e seis,  eu havia acabado de finalizar um maço de cigarro que comprara ainda hoje no final da tarde junto com meia dúzia de pães para acompanhar o café.

Eu sempre tive dificuldade de auto compreensão, mas minha dificuldade agora é você, é compreender a tempestade que vive em você, é entender porque ela me fere tanto. Por quê?

Minha mãe sempre invocou com a quantidade absurda que eu como: "essa menina não engorda de ruim", vendo como as coisas acontecem e como a vida tem andado eu queria poder deitar no colo dela agora e perguntar "mãe, eu realmente sou tão ruim assim?"

Eu sou incapaz de conviver com a fúria causada pela solidão de cada demônio que habita em mim.

Eu sei que eles me matam e matam você. Sua presença sempre me entorpeceu, meus demônios se ocupavam demais lutando com os seus para lembrar-se que podiam me matar.

Nós lutamos tanto que ambos perdemos, acho que quando o amor se esvai.... Se destrói.... É assim... não tem vencedores porquê cada vez que você perde alguém uma parte de si é perdida junto para sempre.

Você tem sido uma parte tão grande que pensar em te perder significa me perder por completo, você foi um caminho sem volta. Onde me perdi que já não posso mais voltar para mim...
Eu aprendi bem cedo que amor é um sentimento egoísta, e que aparentemente desde a infância eu nunca fui um ser humano amável.

Me joguei em muitos relacionamentos por inocência, sempre achei que era reciproco e que por amor valia a pena o risco de se machucar.

Eu me matei, matei cada pedaço meu para tentar caber em você, matei tudo que não fosse de acordo com seus gostos, para caber em você...

Eu tenho tentado matar minha essência para caber em você, eu tenho deixado de ser minha para ser sua, mas dói tanto não ser minha.

Eu paro frente ao espelho e não me vejo, será que sou tão ruim assim? Tao ruim que você é incapaz de me amar como sou, que ninguém pode me amar como sou....

"Você é vulgar e cada parte do seu mundo se baseia em mentiras que você tenta aliviar. Amizades? Amizades são os pratos quebrados do almoço que você resolveu não degustar. "

Eu sou tão ruim que me jogo no outro, preencho de palavras doces o meu vazio, palavras vazias.

Eu ainda me impressiono com a facilidade que minha vida pode escorrer pelos meus dedos, e com a facilidade que minha mente implora para que eu a despeje ralo abaixo.


Quantas vezes tenho que morrer para estar viva para você?
Eu nunca havia chorado frente a um homem, a insensibilidade masculina sempre alertara meu excesso de orgulho.

Então eu te conheci e eu chorei, inundei o país inteiro, chorei em cada canto da casa, e em todas as estações da linha 2 do metro, chorei cada lágrima que um dia segurei.

Chorei por um verão inteiro...
Esvaziei, sequei, desidratei e morri

Eu morri de dor e de alívio, por finalmente te desconhecer....
É assim que os loucos morrem, sentados no chão frio do banheiro de sua casa vazia, em uma periferia QUALQUER, sozinho, sendo ninguém, assim como veio, se esvai como nada.